O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), indeferiu nesta quinta-feira (21) os pedidos de diversos deputados e senadores para a leitura dos requerimentos de abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o caso do banco Master. A decisão ocorreu logo no início da sessão plenária do Congresso, convocada originalmente para a análise de vetos à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026.
Alcolumbre justificou a rejeição ao afirmar que o momento da leitura de requerimentos é um ato discricionário da Presidência da Casa. Segundo o senador, a votação dos vetos orçamentários deveria receber total prioridade na pauta do dia por beneficiar diretamente os pequenos municípios brasileiros. O movimento do presidente do Congresso gerou fortes protestos em plenário, com parlamentares de diferentes espectros políticos cobrando a instalação imediata das investigações.
O debate em torno do caso do banco Master ganhou contornos de forte disputa política. Durante a sessão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — que aparece em conversas gravadas com o dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro, tratando de captação de recursos para um documentário — defendeu a urgência da comissão sob o argumento de que suas tratativas privadas foram lícitas e que há fatos a serem esclarecidos também sobre reuniões do Executivo. Ele foi contraposto pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que questionou as relações do parlamentar e as aplicações de fundos previdenciários estaduais na instituição.
Atualmente, tramitam no parlamento ao menos cinco pedidos formais de comissões de inquérito sobre o caso do banco Master, divididos entre requerimentos exclusivos da Câmara, do Senado e o formato misto (CPMI). Em paralelo à resistência na Mesa do Congresso, a oposição e partidos da base acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF). As ações, sob a relatoria do ministro André Mendonça, buscam uma decisão judicial que obrigue a instalação do colegiado pela cúpula do Legislativo.
