Michelle Bolsonaro rebate críticas da direita após elogiar programa do governo Lula para surdos

Ex-primeira-dama afirmou que pauta das pessoas com deficiência está ‘acima de qualquer ideologia ou partido’ e destacou que projeto teve início na gestão anterior
Michelle Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em montagem lado a lado. A ex-primeira-dama aparece segurando um microfone durante discurso, enquanto Lula fala em uma reunião oficial, com a bandeira do Brasil ao fundo.
Foto: Reprodução/Instagram e Agência Brasil

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) utilizou suas redes sociais para rebater as críticas que recebeu de setores da direita após elogiar publicamente a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos (Pnebs), lançada pelo Ministério da Educação (MEC) do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em nova manifestação, a presidente do PL Mulher afirmou que a defesa da comunidade surda não deve ser limitada por divergências partidárias.

“A pauta da pessoa com deficiência está acima de qualquer ideologia ou partido”, declarou Michelle Bolsonaro.

O recuo estratégico ocorreu após internautas e aliados políticos questionarem o tom elogioso da ex-primeira-dama a uma agenda da atual gestão. Na publicação original, Michelle havia classificado a nova política pública voltada à autonomia e protagonismo de estudantes surdos como “um sonho realizado”.

Para conter o desgaste com a base aliada, Michelle argumentou que a construção da política de educação bilíngue para surdos teve início durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo ela, o projeto era uma demanda histórica que enfrentou obstáculos técnicos até ser implementado.

“Sempre fui uma defensora das pessoas com deficiência. Essa é a pauta do meu coração e ela está acima de qualquer ideologia ou partido”, escreveu Michelle.

“Quando foi presidente da República, meu marido, Jair Bolsonaro, deu uma demonstração clara de que o bem das pessoas deve prevalecer sobre diferenças partidárias ao sancionar a Lei Amália Barros, um Projeto de Lei apresentado por um parlamentar do PT, que reconheceu a visão monocular como deficiência sensorial, garantindo direitos a milhares de brasileiros. Jair não olhou quem apresentou o projeto. Avaliou o bem que iria fazer às pessoas e sancionou com alegria a Lei”, acrescentou.

A ex-primeira-dama defendeu ainda que iniciativas públicas devem ser avaliadas exclusivamente pelo benefício que entregam à população, independentemente da autoria. Como justificativa, mencionou que o governo anterior também sancionou projetos de lei que foram propostos por parlamentares de campos políticos de oposição.

A valorização da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e a inclusão social de pessoas com deficiência foram as principais bandeiras institucionais de Michelle Bolsonaro durante o período em que esteve no Palácio do Planalto. A nova divergência interna com a ala mais ideológica da direita coincide com o tensionamento de bastidores na dinâmica política da família.

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