O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não pretende apoiar a alegação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de ser o líder legítimo do Brasil, segundo reportagem da agência Reuters publicada na sexta-feira (30) e reproduzida pela CNN Brasil.
As informações foram dadas por uma autoridade americana e outra pessoa a par do assunto, sob condição de anonimato. Elas ressalvaram que Trump pode mudar de ideia.
Segundo a Reuters, a postura sugere que Trump pode estar relutante em provocar uma nova crise nas relações com o Brasil. Uma terceira autoridade disse que o capital político de Flávio diminuiu com o autoexílio.
Trump disse que a eleição brasileira pareceu “manipulada”, mas evitou criticar Lula. “Gosto do Lula, me dou muito bem com ele”, afirmou a repórteres na segunda-feira (26).
Como foi a entrada de Flávio nos EUA
Flávio deixou o Brasil após perder a eleição presidencial e chegou a Miami depois de passar pela Argentina. Segundo autoridades argentinas citadas pela Reuters, ele, a esposa e as duas filhas cruzaram uma ponte para o norte do país e embarcaram em um avião fretado, que seguiu para Miami via Equador.
A viagem ocorreu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, ordenou a entrega do passaporte do senador, a pedido da Polícia Federal, que o investiga por suposta lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Segundo a Reuters, Jason Miller, assessor de Trump próximo à família Bolsonaro, ajudou a organizar o voo a partir da Argentina. Durante a viagem, o secretário de Estado, Marco Rubio, recomendou que a entrada do senador fosse permitida, e Trump aprovou.
Flávio e a família receberam na fronteira “parole humanitária”, status temporário concedido quando há questões humanitárias urgentes ou interesse público significativo.
Em carta publicada no X na quarta-feira (28), Flávio se apresentou como “o presidente eleito”. Depois, apagou o texto e publicou outra versão, em que se dizia o “líder” legítimo do país.
O que diz Rubio
Neste sábado (31), Rubio afirmou que o governo americano “não facilitou” a saída do senador do Brasil, segundo a Associated Press.
A Casa Branca encaminhou o pedido de comentário da Reuters ao Departamento de Estado, que não respondeu. O governo brasileiro e um representante de Flávio também não se manifestaram.
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