A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou o bloqueio das operações de duas companhias responsáveis por gerar mais de 4,3 milhões de chamadas com números adulterados (spoofing).A decisão atinge a Voros Telecomunicações e a central de atendimento ELO Contact Center.A agência reguladora também intimou operadoras a rastrearem a origem de um lote que ultrapassa 200 milhões de ligações suspeitas.
A manobra de falsificar o identificador de chamadas impede que o consumidor saiba quem realmente está ligando e abre brecha para fraudes financeiras e golpes. De acordo com apuração do g1, e confimradas pelo Portal Trend, as irregularidades identificadas pelo órgão regulador envolvem tanto a prestação de serviços sem autorização quanto o desrespeito a padrões técnicos do setor de telecomunicações.
As punições definidas pela fiscalização dividem-se em duas frentes:
- Voros Telecomunicações: classificada pela agência como operadora clandestina de telefonia. As prestadoras Algar, Datora e Foco estão proibidas de repassar capacidade de rede para o tráfego da empresa por tempo indeterminado.
- ELO Contact Center:prestadora de telemarketing com números fora do padrão regulatório.A operadora TIM recebeu ordem direta para suspender as chamadas originadas pela central pelo prazo de 30 dias.
Rastreamento de 200 milhões de ligações
O volume verificado nos dois alvos integra uma apuração mais ampla. A Anatel identificou mais de 203 milhões de chamadas com indícios de adulteração circulando nas redes.
Para identificar os contratantes finais desse tráfego, o órgão intimou quatro companhias de telecomunicações a entregarem relatórios detalhados em até 30 dias: TIM, Algar, Surf Telecom e Itelco.
Manifestação das partes
Em resposta formal ao processo da agência, a Voros Telecomunicações alegou que não opera serviços voltados à rede pública e declarou que a validação do número cabe às operadoras parceiras.
A ELO Contact Center afirmou que a falha partiu de um fornecedor de tecnologia e que tomou providências internas para sanar a inconformidade.A TIM informou que não tem controle operacional sobre a falha da parceira e aplicou sanções contratuais à contratada.
Algar e Surf Telecom sustentaram que o fluxo irregular decorreu de contratos de intermediação e não teve origem em suas redes próprias.A Itelco não respondeu às notificações da Anatel dentro do processo. O espaço segue aberto para manifestação da defesa de todas as citadas.






