Nas redes sociais e em debates políticos, uma afirmação costuma reaparecer com frequência: a de que o Pix, sistema de pagamentos instantâneos amplamente utilizado no Brasil, foi uma criação pessoal do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mas será que a autoria do projeto realmente pertence a ele? O TrendCheck investigou o histórico de desenvolvimento da ferramenta.
O VEREDITO: FALSO. O Pix não é de autoria de Jair Bolsonaro. O sistema foi integralmente desenvolvido, desenhado e implementado pelo corpo técnico de servidores do Banco Central do Brasil (BC). Embora tenha sido lançado oficialmente em novembro de 2020, durante a gestão de Bolsonaro, o projeto começou anos antes e é considerado uma iniciativa de Estado, e não de um governo específico.
O Cronograma de Criação do Pix
Para entender a paternidade do Pix, é preciso olhar para a linha do tempo de seu desenvolvimento, que atravessou diferentes gestões no governo federal e no Banco Central.
1. O Início no Governo Temer (2018)
Os primeiros passos para a modernização do sistema de pagamentos brasileiro começaram em maio de 2018, sob a presidência de Michel Temer. Na época, o presidente do Banco Central era o economista Ilan Goldfajn. O BC publicou o Comunicado nº 32.227, que estabeleceu os requisitos fundamentais para o ecossistema de pagamentos instantâneos no país. Foi ali que o grupo de trabalho técnico foi formalizado para desenhar o que viria a ser o Pix.
2. O Desenvolvimento e Implementação (2019-2020)
Com a troca de governo em 2019, os servidores de carreira do Banco Central continuaram o desenvolvimento técnico da plataforma. Sob a nova presidência de Roberto Campos Neto no BC, o projeto ganhou o nome oficial de “Pix” em fevereiro de 2020 e teve suas regras consolidadas.
3. O Lançamento Oficial (Novembro de 2020)
O Pix começou a operar plenamente para toda a população em 16 de novembro de 2020, durante o mandato presidencial de Jair Bolsonaro.
Por que existe a confusão?
A associação da ferramenta à figura de Jair Bolsonaro acontece porque o lançamento comercial e a popularização massiva do Pix ocorreram durante o seu período na presidência da República. Em diversas ocasiões, o ex-presidente e seus apoiadores utilizaram o sucesso da plataforma como uma vitrine de conquistas de sua gestão.
No entanto, em outubro de 2020 — poucas semanas antes do lançamento oficial —, o próprio Bolsonaro demonstrou desconhecer o sistema ao ser abordado por um apoiador que lhe agradeceu pela criação do Pix. Na ocasião, o ex-presidente confundiu a ferramenta com a aviação civil ou com o setor de infraestrutura, perguntando se o termo se referia à “aviação regional”.
Conclusão
O Pix é um patrimônio tecnológico e financeiro do Estado brasileiro, concebido e executado por técnicos e engenheiros do Banco Central, uma autarquia que, inclusive, possui autonomia garantida por lei para atuar independentemente de pressões ou diretrizes político-partidárias. Atribuir a criação do sistema a um único governante ignora o trabalho institucional de anos realizado pelo funcionalismo público.





