Instagram remove recurso “mapa de amigos” após liberação por acidente no Brasil

Ferramenta de geolocalização em tempo real apareceu na caixa de entrada de usuários e gerou fortes debates sobre privacidade nas redes sociais; Meta afirma que função entrou no ar por erro técnico
Captura de tela de um smartphone mostrando o recurso "Mapa de Amigos" do Instagram em Nova York. Vários ícones circulares com fotos de perfil e nomes de usuários, como "Idiara", "Hishi", "Você" e "Alexa", estão dispersos em um mapa de ruas. Os horários de "agora", "2 min", "15 min" e "45 min" indicam quando os usuários estiveram ativos pela última vez.
Foto: Reprodução/instagram

O Instagram removeu do ar o recurso “mapa de amigos” menos de 24 horas após a ferramenta aparecer repentinamente para usuários no Brasil. A Meta, empresa responsável pela rede social, confirmou que a funcionalidade foi disponibilizada por acidente devido a um erro técnico.

A aparição da ferramenta na última quarta-feira (10) causou forte repercussão e dividiu opiniões na internet. O recurso ficava posicionado na parte superior da caixa de entrada de mensagens diretas (DM) e permitia a visualização da localização geográfica de contatos em tempo real, além de notas, stories e publicações vinculadas a um ponto no mapa.

Questionamentos sobre privacidade

Assim que o mapa começou a ser exibido, internautas levantaram debates em plataformas como o X (antigo Twitter) a respeito dos riscos de segurança e privacidade do monitoramento constante.

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) apresentou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) pedindo a investigação e a suspensão do “mapa de amigos”, após o recurso aparecer repentinamente na caixa de entrada de usuários brasileiros e levantar fortes debates sobre segurança pública e privacidade.

Na representação, a deputada argumenta que a funcionalidade desenvolvida pela Meta — empresa proprietária do Instagram — foi disponibilizada de forma irresponsável e pode colocar os usuários em situação de extrema vulnerabilidade. Segundo Hilton, o monitoramento constante facilita crimes de perseguição (stalking), roubos e violência física, afetando de forma mais acentuada grupos vulneráveis como mulheres, crianças e idosos.

Embora o Instagram exigisse que o usuário escolhesse ativamente com quem compartilhar a localização — permitindo restringir o acesso a “amigos próximos”, seguidores que o perfil segue de volta ou pessoas selecionadas —, o temor de exposição indevida gerou críticas severas.

Procurada para detalhar os critérios de proteção de dados adotados no desenvolvimento da ferramenta, a assessoria de imprensa da Meta informou que não vai se pronunciar sobre os questionamentos de segurança da função.

Como funcionava o recurso “Mapa de Amigos”

Nos testes práticos realizados enquanto a ferramenta esteve ativa, o mapa operava sob critérios específicos de privacidade definidos pelo usuário:

  • Controle de público: O usuário precisava autorizar a transmissão do sinal de GPS para grupos selecionados de amigos;
  • Modo fantasma: Era possível ocultar a localização por completo ou sumir do mapa em regiões específicas do perímetro urbano;
  • Validade do conteúdo: Publicações, stories e notas marcadas no mapa saíam do ar automaticamente após 24 horas de exibição.

A funcionalidade é semelhante ao modelo popularizado pelo aplicativo de mensagens Snapchat com o seu Snap Map, focado em aproximar usuários de círculos sociais restritos por meio da proximidade física. A Meta não confirmou se o projeto do “mapa de amigos” foi permanentemente descartado ou se retornará em atualizações futuras de forma oficial.

Total
0
Shares
Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *