Democratas planejam investigar Trump em criptomoedas e perdões presidenciais a partir de janeiro

Com controle democrata do Congresso a partir de 3 de janeiro, parlamentares apuram negócios de criptomoedas de Trump, incluindo World Liberty Financial, acordos com Emirados Árabes e perdóes presidenciais.
Retrato oficial do presidente Donald Trump
Foto: Casa Branca (domínio público)

Parlamentares democratas dos Estados Unidos preparam investigações sobre os negócios de criptomoedas de Donald Trump, incluindo a empresa World Liberty Financial, após a vitória do partido nas eleições de meio de mandato de 4 de novembro de 2026, que deu ao Partido Democrata o controle da Câmara dos Deputados e do Senado. As informações foram apuradas pelo Times Brasil | CNBC.

Cinco senadores democratas — Elizabeth Warren (Massachusetts), Richard Blumenthal (Connecticut), Gary Peters (Michigan), Dick Durbin (Illinois) e Ron Wyden (Oregon) — solicitaram audiências no Senado para apurar possíveis riscos à segurança nacional envolvendo os negócios de criptomoedas da família do presidente, segundo reportagem publicada em 10 de julho de 2026.

O que os democratas querem apurar

Os parlamentares focam na World Liberty Financial, plataforma de criptomoedas ligada à família Trump, e na 1789 Capital. Segundo o Gate News, empresas de cripto, capital de risco e mercados de previsão ligadas a Trump e à sua família estão contratando advogados e lobistas em ritmo acelerado para se preparar para possíveis investigações do Congresso.

Legisladores democratas solicitaram informações para saber se essas empresas receberam contratos governamentais, favores políticos ou estiveram envolvidas em conflitos de interesse.

Conexão com os Emirados Árabes

Segundo o CoinTelegraph, democratas pressionam por audiências sobre um suposto acordo de US$ 500 milhões entre a empresa de cripto da família Trump e a realeza de Abu Dhabi. Em janeiro de 2025, o Wall Street Journal noticiou que uma empresa de investimentos de Abu Dhabi, apoiada pelo xeque Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, conselheiro de segurança nacional dos Emirados Árabes Unidos, assinou acordo para adquirir 49% da World Liberty Financial.

Em maio de 2025, o governo Trump fechou um importante acordo de armas e chips de inteligência artificial com os Emirados Árabes Unidos, o que, segundo os senadores democratas, ocorreu “apesar das preocupações levantadas por autoridades de segurança nacional dos EUA de que a China pudesse ter acesso aos chips”.

Perdões presidenciais

Senadores democratas também investigam perdões concedidos por Trump, incluindo o do cofundador da Binance, Changpeng Zhao (CZ), condenado por branqueamento de capitais. Segundo a CoinTelegraph, o perdão ocorreu depois que a Binance aceitou um investimento de US$ 2 bilhões de um fundo de Abu Dhabi no início de 2025 e concordou que os fundos fossem pagos na stablecoin USD1 da World Liberty Financial.

Trump também concedeu perdão total e incondicional a Ross Ulbricht, criador do Silk Road, mercado da dark web, conforme reportado pela BBC News Brasil.

Os números

A declaração financeira de Trump referente a 2025, divulgada em 30 de junho, mostra pelo menos US$ 2,24 bilhões em receitas, incluindo mais de US$ 580 milhões relacionados a criptomoedas — cerca de US$ 515 milhões provenientes da venda de tokens da World Liberty Financial, US$ 65 milhões com a venda de participação societária em sua holding e US$ 635 milhões em royalties da Celebration Coins, associada ao seu negócio de memecoins, conforme o Times Brasil | CNBC.

O que vem agora

Com o controle democrata do Congresso a partir de 3 de janeiro de 2027, os parlamentares devem dar seguimento aos pedidos de audiência. Até a última atualização desta reportagem, a Casa Branca e a World Liberty Financial não haviam se manifestado além de notas anteriores afirmando que as atividades da família cumprem a legislação aplicável. Trump, em entrevista à CNBC, disse que “não há nada de ilegal” ou “errado” em seus empreendimentos. O espaço segue aberto para manifestação.

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