Trump perdeu ou ganhou? Entenda o resultado das eleições nos EUA

Trump não estava na cédula, mas seu partido perdeu a Câmara e o Senado. Veja o resultado, como funciona a eleição nos EUA e o que muda.
Retrato oficial do presidente Donald Trump
Foto: Casa Branca (domínio público)

Donald Trump perdeu ou ganhou? A pergunta, uma das mais buscadas no Google nesta quarta-feira (4), tem uma resposta direta: Trump não estava na cédula, mas o partido dele, o Republicano, perdeu o controle da Câmara dos Representantes e do Senado nas eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3).

O presidente continua no cargo até janeiro de 2029. O que mudou é a correlação de forças em Washington: os democratas passam a comandar as duas casas do Congresso a partir de 2027, o que limita a agenda do governo e abre espaço para investigações e bloqueios.

Trump não estava na cédula

As midterms acontecem na metade do mandato presidencial e não incluem a disputa pela Presidência. Trump foi eleito em 2024 e não concorre em 2026. A próxima eleição presidencial será em 2028, segundo o g1.

Por isso, o resultado é lido como um referendo sobre o governo. Tradicionalmente, o partido do presidente perde cadeiras nesse tipo de pleito, e a oposição tende a avançar quando a popularidade do ocupante da Casa Branca está baixa.

Como funciona a eleição nos Estados Unidos

O sistema é diferente do brasileiro e combina cargos federais e estaduais na mesma cédula:

  • Câmara dos Representantes: as 435 cadeiras são renovadas a cada dois anos. O número de deputados por estado segue a população, e cada um representa um distrito eleitoral. A maioria exige 218 assentos.
  • Senado: são 100 cadeiras, duas por estado, com mandatos de seis anos. A cada dois anos, cerca de um terço é renovado — neste ciclo, 35 cadeiras. A maioria exige 51 votos.
  • Governadores: 36 dos 50 estados elegeram governador nesta eleição, além de cargos estaduais e locais.
  • Organização: não há um tribunal eleitoral nacional. Cada estado administra a votação, define prazos de apuração e certifica os resultados, o que explica a contagem arrastada em disputas apertadas.

Os eleitos tomam posse em 3 de janeiro de 2027, quando começa o 120º Congresso.

O que os números mostram

Até a última atualização do g1, os democratas tinham 54 das 100 cadeiras do Senado, contra 44 dos republicanos, com duas vagas ainda em apuração. Na Câmara, a parcial era de 237 a 139, com 59 cadeiras pendentes.

Os democratas viraram 25 cadeiras que estavam com os republicanos em distritos de mais de dez estados. Também houve vitórias inéditas: James Talarico foi eleito senador pelo Texas, estado que não elegia um democrata para a Casa desde 1988; no Kansas, o partido conquistou uma cadeira de Senado pela primeira vez em quase um século, segundo a Agência Brasil.

Abdul El-Sayed, de Michigan, se tornou o primeiro muçulmano eleito para o Senado. Na disputa pelos estados, os democratas somavam 28 governadores, contra 20 republicanos, com dois estados ainda indefinidos.

A reação de Trump

O presidente afirmou ao jornal “The New York Times” que aceitaria o resultado. “Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, disse. “Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento.”

Apesar do tom, ele publicou nas redes a imagem de um boné vermelho com a palavra “veto”, sinalizando que pode barrar projetos aprovados pela oposição. Dias antes, havia condicionado o reconhecimento do pleito a eleições “limpas”.

Em outra publicação, atribuiu a derrota ao fato de não estar na cédula: “Meu nome não estava nas cédulas e, se estivesse, nós teríamos vencido de forma arrasadora!”, escreveu, segundo o Valor Econômico.

Por que o resultado importa

Com o Congresso nas mãos da oposição, o governo perde a capacidade de aprovar sua agenda com facilidade e passa a depender de negociação. Em contrapartida, Trump mantém o poder de veto, o que pode travar projetos e levar a impasses legislativos.

Ainda assim, um Congresso dividido não significa paralisia total: acordos pontuais em temas como orçamento e política externa seguem possíveis, e o próprio presidente disse estar aberto a entendimentos.

A leitura inicial é que o eleitor reagiu ao custo de vida, às tarifas comerciais e à guerra contra o Irã, pontos que dominaram a campanha e pesaram no resultado, segundo análise da Reuters publicada pelo Valor.

O que acontece agora

A apuração de algumas cadeiras pode levar dias, e os números finais ainda podem mudar. A posse dos eleitos está prevista para 3 de janeiro de 2027. Até lá, a composição exata do novo Congresso e o tamanho da maioria democrata definirão o grau de dificuldade que o governo Trump terá pela frente.

Total
0
Shares
Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *